Gosto da metáfora da orquestra sinfônica, em que vários profissionais planejam e ensaiam muito para combinar sons e, com tarefas distintas, atuam em sintonia para produzir arte. A prática educativa dentro de uma instituição escolar também pode ser pensada assim.

Ninguém é professor sozinho. Essa é uma profissão que exige partilhas, troca de experiências, estudo, pesquisa e muita conversa para adequar o ensino ofertado às necessidades de aprendizagem das crianças e dos jovens. Para isso, fazer um trabalho regular na sala de aula não basta. É preciso integrar uma comunidade de educadores conscientes, comprometidos e alinhados com o projeto educativo da instituição.

A questão é que, muitas vezes, o docente se sente invadido com a presença do coordenador pedagógico. Isso acontece, sobretudo, porque é hegemônica a ideia de que o trabalho docente é uma atividade privada e de que o bom professor se basta. Precisamos romper com a ideia de “carreira solo”. Você não está sozinho! E isso é bom.

O primeiro passo é o professor procurar um lugar mais confortável na relação com o coordenador. Não se pode simplesmente dizer “não aceito que ele faça a supervisão do meu trabalho, olhe o meu planejamento e entre na minha sala”, porque essas são práticas profissionais e instituídas. É necessário ter clareza de que ambos possuem responsabilidades com a prática educativa, cada qual com suas funções– que precisam estar articuladas.

Nesse sentido, estabelecer combinados sobre o funcionamento dessa parceria pode ampliar a confiança e a cumplicidade. Dialogar com o coordenador e trazer sugestões sobre como a observação na sala de aula pode ser combinada previamente ou estabelecer um cronograma para a entrega de planejamentos e recebimento de devolutivas, por exemplo, são caminhos possíveis para desenvolver uma relação e um trabalho produtivo.

Em sessões de observação de sala de aula, a dica é garantir as condições para que o coordenador conheça previamente o planejamento. Conte o que você pretende fazer. Dessa maneira, ele tem tempo para dar a você as ajudas e sugestões necessárias para qualificar a proposta. Converse sobre as hipóteses didáticas que elaborou, bem como sobre as dúvidas e dificuldades que encontra em sala, tendo em vista as características da turma.
A atuação do coordenador pedagógico também não pode ser solitária. Ele precisa conhecer o trabalho de cada um e ter as dicas da equipe para ajustar o programa de formação da escola e, assim, dinamizar processos pedagógicos institucionais.

Para conhecer o papel do coordenador pedagógico, saber o que esperar dele na escola e ser construtor de redes colaborativas, recomendo a série dedicada a esse profissional no programa Salto para o Futuro (disponível aqui) e o blog Coordenadoras em Ação, no site de GESTÃO ESCOLAR.

Você tem outras dicas para aproximar e melhorar o trabalho em conjunto com o coordenador? Compartilhe nos comentários!

Um abraço e até a próxima,